Enfarinhada (e é comida)

De pequeno e até a meia adolescência ia passar parte do verão em Vilanova de Lourenzá, uma vila num val precioso, onde comia judias com torresmos adereçadas com um vinagre caseiro forte como o alento dum dragão e requeijo com açúcar de sobremesa.

Actualização: Para saber mais, podes ver em Colineta um entrada sob os farangulhos.

Há uns meses conheci a Marina, também de Lourenzá, e este domingo tive o prazer de comer com a sua família, que preparou uma enfarinhada com a que gravamos este vídeo.

Em todos os anos na vila nunca a provara e vendo as paixões que esperta nos Oural Villapol entendo que perdi a oportunidade de associar esta sobremesa tão particular com este lugar.

Ingredientes (aproximados)
2 ovos
1 vaso de auga
1 chorrinho de leite
9 colheradas de farinha triga
1 colherada de farinha milha
1 chisco de sal
Pingo ou manteiga
Aceite
Umas lascas de toucinho entrefebrado
Uma lasquinha de toucinho branco

Preparação
1) Batemos os ovos com o auga, o sal e o leite.

2) Engadimos a farinha triga enquanto seguimos a remexer.

4) Quando o amoado esteja ligado e suave, engadimos uma colherada de farinha milha.

5) Numa tigela botamos tres colheradas de aceite e unhas lascas de toucinho entrefebrado e de toucinho branco, douramos e retiramos os torresmos, que devemos comer com um bom pão e um vaso de vinho.

6) Botamos o amoado na tigela e quando o fondo esteja algo calhado damos-lhe a volta com uma espátula. Neste ponto a torta rachara-se porque não terá consistência, mas isto é o que pesquisamos.

7) Com a espátula seguimos dando voltas e partindo a massa que formará farangulhas cada vez mais pequenas. Engadimos pingo ou manteiga se vemos que esta seco (e para isto não há mais que fazer muitas vezes esta receita para ir colhendo-lhe o nosso ponto). O processo durará uns 20 minutos, momento no qual a massa tem uma ligeira cor douradada e as farangulhas são pequenas e ficam soltas.

8) Apartamos do lume e deixamos esfriar. Comemo-las mornas com açúcar ou mel.

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9 Responses to “Enfarinhada (e é comida)”

  1. Miguel Vila (Colineta) Says:

    Fantástico o video e o prato, que pola Pontenova chaman “Faragullos” e fanlle festa tódolos agostos dende 2004. Cunqueiro cita estes faragullos na súa primeira novela “Merlín e familia”. Curiosamente eu, que son do Valadouro, moi preto de Lourenzá, non os coñezo por alí. Desculpa se poño un enlace cun artigo sobre faragullos que publiquei en 2005: http://www.colineta.com/2005/09/14/211/lang-pref/gl/ (de inmmediato vou comunicar aos meus lectores a publicación do teu video)

  2. Rodrigao Says:

    Ola Miguel,

    Já vira a ligação no teu blogue mentras pesquisava informação sob a enfarinhada, mas passou-se-me completamente ligalo esta amanhã quando montei o vídeo e o post. Vou atualizar.

    saúdos e obrigadinho!

  3. Colineta » Blog Archive » “Faragullos” o “enfariñada” Says:

    [...] Por mis fogones publica un estupendo video, realizado en Vilanova de Lourenzá el domingo pasado, en el que se [...]

  4. Miguel Vila (Colineta) Says:

    Xa está o enlace ao teu video en Colineta. E gracias pola cita.

  5. José Luis Louzán Says:

    AS conexions Gastrogalaicas na rede funcionan mellor que o resto de cousas no país ¿eh? jaja

    O unico mais ou menos negativo do asunto…. é esa botella de coto de Imaz na mesa, mecachis, ¿ e logo non había un bo Mencia para acompañar demo? jaja

    Ten boa pinta o asunto. Calorico e potente… moi noso.

    Por outra parte, agardo ansioso a que se comece a comercializar dunha vez a faba da Lourenzá con carnet para poder vendela. O parto esta sendo longo e dificil…

  6. Rodrigao Says:

    Miguel, de nada, oh!

    José Luis, já sabes que o que nos une e a paixão pola comida, assim que é normal que funcione assim.

    Terei em conta o do vinho para a seguinte. Estou pendente da raia e as tuas sugestões, pêro Enrique sempre esquence o meu encargo :(

    Os partos longos às vezes são os mais gratificantes.

  7. marina Says:

    Tenho um grande recordo da enfainhada no meu corpo, desde nena era um prato esperado como agasalho de minha mai, sublime xesto pola súa parte cando sabes que este prato foi um dos principais e básicos na súa criança. Este prato fica em Trabada (concelho fronteirizo com Lourençá)onde ela +9 irmáns nasceron.Ela cozinhaba para todos cando já era capaz de chegar á cocinha ponhendose de puntilhas ou se houber que revolver a pota, subíndose á ‘banqueta’.Comían a enfarinhada no pequeno almoço con leite-feita do día anterior-; no almoço con torrezmos, despois do caldo; e con sucre ou mel como sobremesa. Hoje na minha casa comémola como sobremesa case sempre, aínda que ás veces como prato; o do pequeno almoço já non.Que delicia de prato e que sorte poder goçar desta ‘cozinhada’ polas máns que levan moito tempo facéndoa.grazas mamá! marina

  8. Rodrigao Says:

    Todo isto que nos contas quedou-me claro o dia que comparti com a tua família. Foi um prazer botar lá o domigo, voltar de novo a Lourençã tantos anos depois e ter poder provar a enfarinhada da que tanto me falaras. Uma aperta.

  9. marina Says:

    obrigada eu Rodrigo, ese día para min é moito especial…já sabes que prefiro ‘guiso’…abraço fundo